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Pensamento Adictivo

 

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    O pensamento adicitivo é caracterizado por vários aspectos, nomeadamente:

 

a) Aspectos qualitativos (Ellis et al, 1988)

         •    automático, não consciente

         •    rígido

         •    dicotómico (tudo ou nada)

         •    generalizado excessivamente e ilógico (ex.: sou fraco em tudo)

           não empírico (não tem correspondência com a prática - ex.: não testou se é capaz de deixar a droga e afirma que não é capaz); absolutista

 

 

b) Conteúdo comum dos temas

(crenças adictivas ou dimensões específicas dos toxicodependentes)

 

   •        Negação: o álcool ou as drogas não constituem um problema.

Baixa tolerância à frustração e ansiedade desconfortante (Não posso suportar as frustrações da minha vida) - padrão Baixa Tolerância à Frustração (típico nos toxicodependentes - incapacidade de suportar sentimentos penosos e amplificar consequências negativas de experienciar esses sentimentos).

 

    •        Necessidades auto-definidas em termos de estimulação, gratificação ou excitação ("Tenho necessidade de experimentar novas sensações; a vida é muito monótona) - padrão de procura de excitação (tendência para caracterizar a sua vida como necessitando de estimulação).

 

           Desânimo, desvalorização (e.g., "Sou muito fraco para controlar este problema; não conheço ninguém que tenha conseguido").

 

    •        Auto-condenação (e.g., "Sou um falhado"; "O que está mal comigo?" "Porque razão não consigo mudar?").

 

 

 

 

 

Processo e estratégias de modificação do pensamento adictivo

(Freeman, 1987)

 

        1.      Questionar a evidência – teste empírico, apresentar a evidência que contraria a crença.

 

        2.      Descatastrofização – para aplicar esta estratégias é necessário questionar a evidência, i.e., o significado que o indivíduo atribui à situação. E.x.: se não consumo na próxima hora morro.

 

 

        3.      Vantagens e desvantagens – quando algo de negativo acontece, algo de positivo também acontece e o terapeuta pode ajudar a desocultar isto. Nomeação das (des)vantagens do consumo feita pelo cliente ou o terapeuta.

 

        4.      Transformar a adversidade em vantagem - "a crise gera desenvolvimento", é uma espécie de inversão figura-fundo.

 

 

        5.      Caracterização das distorções (cognitiva) – ex.: pensamento de tudo ou nada.

 

        6.      Significado ideossincrático - procura reforçar a nacionalidade do cliente o que passa por mostrar que as posições que assumimos face ao mundo são caracterizadas por relativismo (significado ideossincrático). São posições subjectivas no sentido de contrariar a rigidez cognitiva e tornar o pensamento mais flexível. mostram ao cliente que a visão que tem do problema é apenas uma de entre muitas. Procura-se relativizar a interpretação do cliente.

 

        7.      Reatribuição (de causalidade). Mudar o locus de controlo fornecendo evidências que permitam ao indivíduo formar outras hipótese explicativas para o seu problema. E.x.: crença interna e estável - uma força dentro de mim impele-me a consumir. Crença externa e instável - talvez existam factores externos que me levam a consumir.

 

        8.      Examinar opções e alternativas. Flexibilizar o pensamento do indivíduo.

 

 

        9.      Consequências fantasiadas (técnica específica para a toxicodependência). Desmistificação das consequências associadas à paragem do consumo. Fornecer outras visões o problema. Visa corrigir distorções.

 

        10. Paradoxo e exagero. Visa corrigir distorções. Pode Ter efeitos perverso. Deve ser usada com cuidado e com a relação estabelecida. O terapeuta exagera consequências. O objectivo é criar dissonância no cliente.

 

 

 

            Técnicas específicas para os toxicodependentes

 

        a)     Disputar a ansiedade desconfortante (tendência do toxicodependente para exagerar o desconforto experimentado). 

Ajudar o indivíduo a modificar as suas avaliações de desconforto relattivamente a algo percepcionado como horrível para algo que pode ser suportado, mostrando, por exemplo, como exagera o seu desconforto e como define uma situação desagradável em termos intoleráveis - tornar menos extremas as avaliações acerca de si próprio.

Ajudar o indivíduo a desenvolver um "cálculo hedónico" - refere-se ao processo através do qual o indivíduo analisa custos/benefícios de uma gratificação a curto e longo prazo (pensar pontos positivos e negativos de uma gratificação a curto e longo prazo).

 

        b)     Disputar o desânimo

Consiste em alterar a crença do toxicodependente de que "nada há fazer" por forma a que adquira rapidamente um "sentimento de esperança". Importância da profecia auto-realizadora.

 

Principais distorções cognitivas:

1. Generalização abusiva: "Já que falhei ao tentar resolver o meu problema, eu próprio sou um falhado".

2. Pensamento "tudo ou nada": "Se não tenho controlo sobre o consumo de drogas é porque sou incapaz de me controlar".

3. Abstracção selectiva: "Algumas vezes resolvo adequadamente os meus problemas, mas porque muitas vezes não resolvo, não presto para nada".

 

 

    c)     Disputar a auto-condenação: as crenças irracionais que podem caracterizar a auto-condenação são de dois tipos:

A primeira é a exigência absoluta de que sob todas as condições o abuso de drogas nunca deveria ter ocorrido no passado e não deverá ocorrer no futuro.

A segunda envolve um raciocínio dicotómico segundo o qual o toxicodependente se identifica a si próprio como sendo consumidor ou não consumidor.

 

 

    f)     Disputar crenças irracionais acerca de emoções perturbadas (Ellis et al., 1988): os toxicodependentes devem evitar o desconforto emocional associado a emoções negativas como a culpa ou a depressão. Um dos objectivos da Terapia Racional Emotiva consiste em ajudar o toxicodependente a lidar com as emoções negativas resultantes do abuso de álcool e/ou drogas.

 

 

 

 


Paula Marques

Março, 2003

 

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Revised: Setembro 13, 2004.