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O Estruturalismo

 

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2 - O ESTRUTURALISMO
 
2.1 - Wilhelm WUNDT (1832-1920)

Nos primeiros anos da evolução da Psicologia como disciplina científica distinta, esta foi profundamente influenciada por Wilhelm Wundt que determinou o objecto de estudo, o método de pesquisa, os tópicos a serem estudados e os objectivos da nova ciência.
Wundt formou-se em medicina e ficou particularmente conhecido pela criação do que ficou considerado como o Primeiro Laboratório de Psicologia Experimental, seguindo os modelos dos laboratórios das ciências naturais. Este laboratório torna-se rapidamente um centro de investigação, local onde acorrem psicólogos e estudantes de todo o mundo. Esta foi a forma mais eficaz de Wundt atingir o seu principal objectivo que era contribuir para o processo de autonomização da psicologia relativamente à filosofia.
Wundt, influenciado pelas descobertas da química, segundo as quais todas as substâncias químicas são compostas por átomos, Wundt foi decompor a mente nos seus elementos mais simples, que são as sensações.
Tanto para Wundt como para os seguidores do estruturalismo, as operações mentais resultam da organização de sensações elementares que se relacionam com a estrutura do sistema nervoso.
Wundt recorre aos métodos experimentais das ciências naturais, particularmente às técnicas usadas pelos fisiologistas, e adaptou os seus métodos científicos de investigação aos objectivos da Psicologia. Desta forma, a fisiologia e a filosofia ajudaram a moldar tanto o objecto de estudo da nova ciência com os seus métodos de investigação.
Wundt define como objecto da psicologia o estudo da mente, da experiência consciente do Homem - a consciência -  e é no seu laboratório, em Leipzig, que Wundt vai procurar conhecer os elementos constitutivos da consciência, a forma como se relacionam e associam (concepção associacionista).
Para atingir estes seus objectivos, Wundt utiliza como método de estudo a introspecção controlada, que consistia em, no laboratório, observadores treinados descreverem as suas experiências resultantes de uma situação experimental. Através da introspecção, os sujeitos descreviam as suas percepções resultantes de estímulos visuais, auditivos e tácteis. Por exemplo, ouviam um som e em seguida descreviam o que sentiam e só este método permitiria, segundo Wundt, o acesso à experiência consciente do indivíduo.
O emprego da introspecção veio da física, onde este método tinha sido utilizado para estudar a luz e o som e vem também da fisiologia, em que fora aplicado ao estudo dos órgãos dos sentidos.
A introspecção ou percepção interior, tal como é praticada no laboratório criado por Wundt, seguia condições experimentais restritas e obedecia a regras explícitas. Wundt raramente usava o tipo de introspecção qualitativa em que o sujeito apenas descreve as suas experiências interiores, não sendo sujeito a qualquer método objectivo e rigoroso, introspecção esta adoptada por Titchener e Külpe (alunos de Wundt). Wundt tratava, principalmente, julgamentos conscientes acerca do tamanho, intensidade e duração de vários estímulos físicos. Só um pequeno número de estudos envolvia o relato de natureza qualitativa e subjectiva, tal como o carácter agradável ou não de diferentes estímulos ou a qualidade de determinadas sensações.
As áreas investigadas por Wundt abrangeram os domínios da sensação, percepção, atenção, sentimentos, reacção e associação. Com todas estas suas contribuições foi considerado por muitos  o "pai da psicologia experimental".
 

2.2 - Edward Bradford TITCHENER (1867-1927)

Edward B. Titchener alterou o sistema de Wundt, enquanto jurava ser um leal seguidor. Ele propôs uma nova abordagem que designou estruturalismo e afirmou que esta apresentava a forma de Psicologia postulada por Wundt, contudo, os dois sistema são diferentes e o rótulo de estruturalismo só pode ser aplicado à concepção de Titchener. Assim, o estruturalismo foi estabelecido por Titchener como a primeira escola de pensamento no campo da Psicologia.
 Para Wundt a mente tem o poder de sintetizar espontaneamente elementos, enquanto que Titchener, se centra nos elementos que compõe a estrutura da consciência, desvalorizando a sua associação. Segundo este, a tarefa fundamental da Psicologia é descobrir a natureza das experiências conscientes elementares, ou seja, analisar a consciência nas suas partes constituintes para assim determinar a sua estrutura. Para tal Titchener modificou o método introspectivo de Wundt, tornando-o mais próximo do de Külpe, sendo designado introspecção qualitativa e consistia em, observadores descreverem o seu estado consciente após sujeitos a um dado estímulo. Titchener opôs-se à abordagem wundtiana no aspecto do uso de equipamentos e a sua concentração em medidas objectivas.
 De acordo com Titchener, o objecto da Psicologia é, à semelhança de Wundt, a experiência consciente e afirmou que todas as ciências compartilham deste mesmo objecto, ocupando-se cada qual de um aspecto diferente. O objecto de estudo é assim a experiência enquanto dependente das pessoas que passam por ela. Por exemplo, a luz e o som são estudados por físicos e psicólogos; os físicos vêem esses fenómenos da perspectiva dos processos físicos envolvidos, não necessitando que as pessoas passem pela experiência para estudarem os fenómenos, sendo por tal independentes da experiência das pessoas; pelo contrário, os psicólogos estudam os fenómenos, as sensações, em termos do modo como são vivenciados pelo indivíduo, dependendo assim das experiência das pessoas.
 Titchener define a consciência como a soma das nossa experiências num dado momento de tempo, e a mente como a soma das nossas experiências acumuladas ao longo da vida. Mente e consciência são realidades semelhantes mas, enquanto a consciência envolve processos mentais que ocorrem no momento, a mente envolve o acumulo total destes processos.
Para Titchener, os problemas ou finalidades da Psicologia seriam:
1. Reduzir os processos conscientes nos seus componentes mais simples;
2. Determinar as leis mediante as quais esses elementos se associam, e
3. Conectar esses elementos às suas condições fisiológicas.
Logo, os objectivos da Psicologia coincidem com os das ciências naturais.
 Titchener propôs 3 estados elementares de consciência: as sensações, as imagens  os estados afectivos. As sensações são os elementos básicos da percepção e ocorrem nos sons, nas visões, nos cheiros e em outras experiências evocadas por objectos físicos do ambiente; as imagens são elementos de ideias e estão no processo que reflecte experiências não concretamente presentes no momento, como a lembrança de uma experiência passada; os estados afectivos (afectos ou sentimentos) são elementos da emoção que estão presentes em experiências como o amor, o ódio ou a tristeza.
A era do estruturalismo acaba quando Titchener morre.
 

2.3 - Contribuições do Estruturalismo

Titchener e os estruturalistas deram, sem dúvida, contribuições importantes à Psicologia. Definiram claramente o objecto de estudo - a experiência consciente. Os seus métodos de pesquisa seguiram a melhor tradição científica, envolvendo a observação, experimentação e medição. Como a consciência era melhor percebida pela pessoa que tinha a experiência consciente, o método de estudo do objecto deveria ser uma auto-análise (método introspectivo).
Embora o objecto de estudo dos estruturalistas esteja hoje ultrapassado, a introspecção é ainda usada em muitas áreas da Psicologia.
Com a ajuda de Titchener e os estruturalistas, a Psicologia avançou além das suas fronteiras iniciais.
 

2.4 - Críticas ao Estruturalismo

 As críticas mais fortes ao estruturalismo foram dirigidas ao seu método: a introspecção, especialmente a introspecção praticada nos laboratórios de Titchener e Külpe pois estava voltada mais para os relatos subjectivos dos elementos da consciência, enquanto que a concepção wundtiana estava voltada mais para respostas objectivas a estímulos externos.
O movimento estruturalista foi também acusado de artificialismo por causa da sua tentativa de analisar processos conscientes através da sua decomposição em elementos. Os críticos alegaram que a totalidade de uma experiência não pode ser recuperada por nenhuma associação das suas partes elementares. Para estes críticos, a experiência não ocorre em  termos de sensações, imagens ou estados afectivos, mas em totalidades unificadas.
Algo da experiência consciente é inevitavelmente perdido em qualquer esforço artificial de analisá-la e a Gestalt fez uso desta crítica para lançar o seu movimento contra o estruturalismo.
 Para Titchener, a Psicologia animal e a Psicologia infantil nada tinham de Psicologia, aspecto que também foi criticado. A Psicologia desenvolvia-se também em áreas que os estruturalistas excluíam.

 

"A mente pode observar todos os fenómenos excepto os seus próprios… O órgão observador e o órgão observado são idênticos, e a sua acção não pode ser pura e natural. Para observar, o nosso intelecto deve fazer uma pausa em sua actividade; contudo, o que se quer observar é precisamente essa actividade. Se não se puder fazer essa pausa, não se pode observar; se se conseguir fazê-la, nada há a observar. Os resultados desses métodos são proporcionais ao seu carácter absurdo" (Comte).
 

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Revised: Setembro 27, 2003.