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Entrevista Motivacional

 

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A entrevista motivacional é a abordagem concebida para lidar especificamente com comportamentos adictivos e é muito mais específica quanto mais se considera que a mudança destes comportamentos passa pelas questões motivacionais.

            O modo como esta questão da motivação foi definida variou ao longo do tempo e só mais actualmente se adoptou uma perspectiva mais optimista: a motivação não é uma característica, um traço imutável do toxicodependente, mas é uma área intervencionável e é a forma como o terapeuta vai mostrar caminhos ao toxicodependente que o conduzirão à mudança.

 

 

 

Princípios da entrevista motivacional:

 

a) Expressar empatia

    Utilização de técnicas empáticas para desencadear a mudança (princípio geral).

A aceitação facilita a mudança.

A escuta reflexiva é fundamental.

A ambivalência normal.

 

b) Desenvolver discrepâncias

(princípio específico das toxicodependências)

Um conhecimento das consequências é importante.

A discrepância entre o comportamento actual e os objectivos de vida significativos poderá motivar a mudança (analisar a disjunção entre as expectativas para o futuro e o estado actual). O cliente deve apresentar argumentos que justifiquem o seu desejo de mudança.

 

c) Evitar a argumentação

Argumentar é contra-producente

A resistência do cliente revela que é necessário alterar as estratégias.

A confrontação aumenta as defesas do cliente e não favorece a análise dos factores motivacionais para o processo terapêutico. As resistências devem ser interpretadas como um indicador de que as estratégias que estão a ser usadas não são as adequadas e deve levar a questionar a intervenção.

            A etiquetagem é desnecessária (e muitas vezes é prejudicial).

 

d) Diminuir a resistência

As percepções devem ser alteradas no sentido de menor resistência.

O cliente é um elemento central na procura de soluções para os problemas.

Procura-se desencadear outras perspectivas, sem, no entanto, as impor. Sugerem-se novas perspectivas (de ocupação do tempo, de estilo de vida,…).

 

e) Reforçar a auto-eficácia

(modelo da aprendizagem social)

A crença na probabilidade da mudança é um importante motivador.

O cliente é responsável por escolher e pôr em prática determinadas estratégias de mudança.

            Transmite-se um sentimento de esperança em relação às diferentes abordagens propostas.

 

 

Fases da Entrevista Motivacional

(Bilsen e Emst, 1993)

 

 

    1.      Fase do desencantamento

 

Suscitar afirmações auto-motivacionais, isto é, verbalizações do cliente que revelem uma consciência dos problemas relacionados com as drogas (cognição), uma preocupação acerca desses problemas (emoção) e/ou um conhecimento da necessidade de modificar um estilo de vida adictivo (comportamento).

 

 

    2.      Fase da informação

 

Efectuar um inventário que inclua informação relativa a todas as possíveis áreas problemáticas (social, médica e psicológica) e sua transmissão ao cliente de uma forma neutral de modo a que ele possa adquirir uma melhor compreensão da situação.

 

 

    3.      Fase da negociação

 

Deverá conduzir à decisão do cliente no sentido de mudar ou não mudar . o terapeuta valoriza quaisquer decisões dum modo idêntico: pode ser uma decisão acertada para o cliente não querer mudar.

Tendo decidido mudar, deverão ser negociadas o tipo e estratégias de mudança.

 

 

 

 

Paula Marques

Março 2003

 

 

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Revised: Setembro 13, 2004.